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VAMOS FALAR DE STAR WARS…

27 de dezembro de 2018 - Clássicos, Filmes
VAMOS FALAR DE STAR WARS…
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Aviso: este artigo pode conter spoilers do filme “Guerra das Estrelas: O Despertar da Força” (mas se estivéssemos no seu lugar leríamos na mesma).

“Houve um novo despertar. Consegues senti-lo?” Dez anos depois da estreia de “Guerra das Estrelas: A Vingança dos Sith”, o último filme realizado por George Lucas, os fãs de “Star Wars” vão poder voltar a ler no cinema as palavras “Há muito, muito tempo numa galáxia longínqua”.

O novo filme, “Guerra das Estrelas: O Despertar da Força”, com estreia marcada para esta quinta-feira, dia 17 , marca o regresso de algumas das personagens mais queridas da saga, como Han Solo, Leia Organa ou Luke Skywalker. A história começa 30 anos depois da Batalha de Endor, retratada em “O Regresso de Jedi”, o último filme da trilogia original, realizada nos anos 70 e 80. Para além disso, “O Despertar da Força” é o primeiro filme realizado sem George Lucas, o pai da “ópera espacial” que, em 2012, decidiu passar o testemunho a “uma geração mais nova de realizadores”.

Com a venda da sua produtora, a Lucasfilm, George Lucas pôs um ponto final a uma história que começou há quase 40 anos, quando era ainda um jovem realizador que ambicionava fazer cinema de forma diferente. Mas ele não parece preocupado com a partida do filho pródigo. “Está na altura”, escreveu.

A luta entre o bem e o mal…
A estreia de George Lucas no cinema deu-se no início dos anos 70 com “THX 1138” (1971), uma “elegante distopia”, como lhe chamou Hank Stuever. Às corridas de carros (futuristas) de um jovem Robert Duvall, seguiu-se o inesperado sucesso de “American Graffiti” (1973), sobre os últimos dias de liberdade de Curt Henderson (Richard Dreyfuss), prestes a trocar as ruas de Modesto por um campus universitário.

Foi durante a pós-produção de “American Graffiti” que, de acordo com a lenda, Lucas começou a escrever as primeiras linhas de um conto “complexo de mais para ser compreendido”. Chamava-se Os Diários dos Whills, e contava a história de CJ Thorpe, um aprendiz “jendi bundu” do lendário Mace Windy. Para escrever o conto, Lucas inspirou-se em obras tão distintas como “Flash Gordon” ou “A Fortaleza Escondida” (1958), o filme de culto de Akira Kurosawa, que hoje nos parecem tão distantes do universo “Guerra das Estrelas”.

Quando Lucas voltou a pegar na caneta, em abril de 1973, transformou Os Diários dos Whills em A Guerra das Estrelas, uma ideia louca que tentou vender aos grandes estúdios. Ouviu muitas recusas até a “ópera espacial” ser finalmente aceite por Alan Ladd Jr., da 20th Century Fox, que nem por um segundo duvidou do potencial do jovem George Lucas. Anos mais tarde, o realizador faria questão de dizer isso mesmo – Ladd “não investiu no filme, investiu em mim”.

A história que George Lucas queria contar era intemporal. Havia um herói louro com sede de vingança, um vilão vestido de preto e uma princesa com o cabelo entrançado. Havia o bem e o mal, o certo e o errado. E, no meio, naves espaciais do outro mundo que roçavam sobre as cabeças dos espectadores, espadas luminosas e armas a laser. Era outro tempo, outro espaço, mas que Lucas acreditava que podia servir para ensinar ética às crianças.

“Queria ver se conseguia influenciar a vida deles numa altura particular, em que estão muito vulneráveis, e fornecer-lhes as coisas que sempre demos às crianças ao longo da história. A última vez que o tínhamos feito isso tinha sido com os westerns. E assim que os westerns desapareceram, não havia qualquer veículo para dizer ‘não se mata pessoas pelas costas’ e coisas desse gênero”, recordou numa entrevista com Hank Stuever.

A estreia do filme foi marcada para o natal de 1976. Porém, atrasos na produção obrigaram a adiar a data para o verão de 1977. Na Century Fox já todos esperavam o falha do filme, que iria ser um orçamento de cerca de 11 milhões de dólares (10 milhões de euros). A certa altura, o projeto tornou-se tão exigente que Lucas foi diagnosticado com exaustão e hipertensão, e aconselhado a diminuir os níveis de stress.

O filme estreou a 25 de maio em 32 salas norte-americanas. A Portugal, chegou só em dezembro desse ano. O sucesso foi quase imediato — por cá e por toda a parte. Tinha nascido o fenômeno “Star Wars”.

Inicialmente, o primeiro filme de George Lucas chamava-se apenas “Guerra das Estrelas”. Sem o “episódio IV”. Só em 1981, quando o filme foi reeditado, é que foi acrescentada essa informação e adicionado o título “Uma Nova Esperança”.

O que Lucas não sabia na altura era que a aventura “Guerra das Estrelas” ocuparia os restantes 35 anos da sua vida. Inicialmente, o realizador tinha planeado fazer apenas um filme sobre as aventuras de Luke Skywalker (ou Luke Starkiller, como então se chamava). Mas não seria assim: “Quando comecei a escrever a ‘Guerra das Estrelas’ apercebi-me logo que a história era muito maior do que aquilo que um filme podia suportar”, admitiu no prefácio da reedição do livro Splinter of the Mind’s Eye, de Alan Dean Foster.

“À medida que a saga dos Skywalkers e dos jedi se ia desenvolvendo”, Lucas apercebeu-se de que a história poderia ser contada em, pelo menos, nove filmes. Ou seja, três trilogias. “Apercebi-me que, à medida que entrava na história passada e futura, tinha começado a escrever a parte do meio.”

A “parte do meio” era “a mais interessante”, e foi por essa que decidiu começar. Os dois filmes que se seguiram, “O Império Contra-Ataca” (1980) e “O Regresso de Jedi” (1983), continuaram a explorar a história de Luke Skywalker e da sua luta contra o Império Galático de Palpatine. Por contar, ficou a história do vilão com respiração pesada, que afinal não era tão malvado quanto fazia parecer. Seriam precisos 16 anos para Lucas voltar àquela galáxia tão distante.

16 anos depois, numa galáxia tão distante
Durante 16 anos, Lucas recusou-se a olhar para o seu filho pródigo. Esgotado com a realização dos três primeiros filmes, em 1983 admitiu que iria tirar umas férias da saga, deixando em stand by a realização das prequelas. Quando já ninguém esperava voltar a ver aquelas letras amarelas na tela do cinema, uma notícia da revista Variety anunciou que o realizador iria regressar à “Guerra das Estrelas”.

Tinha passado mais de uma década e nesse período muita coisa havia mudado. No cinema, o stop-motion e as naves em miniatura, penduradas do céu por fios de nylon, tinham dado lugar às imagens geradas por computador; fora dele, a Guerra das Estrelas tinha ganho uma nova popularidade com as histórias aos quadradinhos da Dark Horse Comics. Isso permitiu a George Lucas ultrapassar muitos dos obstáculos que tinham surgido durante a realização da saga original, nos anos 70 e 80. E acima de tudo: Yoda pôde finalmente lutar com um sabre de luz.

A chamada “prequel trilogy”, lançada entre 1999 e 2005, começa 35 anos antes do episódio IV, o primeiro filme da “Guerra das Estrelas”. Esta segue o rasto de Anakin Skywalker, descoberto ainda em criança pelo mestre jedi Quin-Gon Jinn em Tatooine. Quin-Gon Jinn acreditava que Anakin era “o escolhido” e que estava destinado a trazer equilíbrio à Força. Porém, aliciado pelo lado negro, o jovem acabou por fazer exatamente o contrário. “Tu eras o escolhido! Estava escrito que irias destruir os sith, não juntar-te a eles. Era suposto trazeres equilíbrio à Força, não deixá-la na escuridão”, gritou-lhe Obi-Wan Kenobi em Mustafar.

É uma história sobre Ben Kenobi e Anakin Skywalker e como chegámos ao ponto em que Obi-Wan Kenobi estava no meio do deserto à espera que qualquer coisa acontecesse”, explicou George Lucas em 1995. “É também sobre como o Darth Vader se tornou quem é, e como o Imperador chegou ao poder.”

Para aqueles que tinham crescido durante os anos 80, os novos filmes eram uma oportunidade única. Podiam finalmente sentir de novo a febre “Guerra das Estrelas”. Porém, para a grande maioria, as prequelas foram uma decepção. Todos esperavam ver a queda de um grande homem, que nunca chegou a aparecer. “Em vez disso, levamos com o conto de um pirralho chorão e arrogante que desafiou sucessivamente os seus professores e que empinou o nariz à tradição. Esperávamos um mestre jedi sábio e poderoso. Em vez disso, recebemos uma caricatura unidimensional do Maverick do Top Gun, se excluirmos a frieza”, escreveu Antonio del Drago, autor de The Mythic Guide to Characters. E a personagem Jar Jar Binks só fez piorar tudo.

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Apesar da reação negativa dos fãs, os três filmes — “A Ameaça Fantasma” (1999), “O Ataque dos Clones” (2002) e “A Vingança dos Sith” (2005) — renderam 2,5 mil milhões de dólares em receitas de bilheteira. Nada mau para os três “piores” filmes da “Guerra das Estrelas”.

Tanto quanto se sabe, os novos filmes ficarão a cabo de diferentes realizadores — um para cada um. A J.J. Abrams coube realizar e escrever, em conjunto com Lawrence Kasdan, o primeiro filme, “O Despertar da Força”. Rian Johnson será responsável pelo episódio VIII. De acordo com o divulgado, Johnson será também o autor do guião do episódio IX. Porém, até ao momento, ainda não se sabe quem irá realizar a última sequela.

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